Dossiês

O boicote dos Óscares 2016

Crítica de João Miguel Carvalho

João Miguel Carvalho
10/02/2016
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No clima incómodo que se sucedeu após a divulgação dos nomeados para 88º edição dos Óscares da Academia, discute-se a falta de diversidade nas nomeações e se na edição passada foi mau, este ano apresenta-se pior para certos olhos. Contudo a principal questão, a que revelou mais foco, encontra-se por detrás do manto polémico da falta de diversidade da Academia. 

Na questão da falta de reconhecimento das prestações de indivíduos afro-americanos, várias celebridades da indústria cinematográfica demonstraram descontentamento. As personalidades que se debruçaram mais sobre a questão foram o realizador Spike Lee, a atriz Jada Pinkett Smith, esposa de Will Smith, e até o próprio ator Will Smith. 

Em causa estão as prestações de atores afro-americanos e realizadores que não foram considerados para nas nomeações da Academia dos Óscares. Como por exemplo, a ausência de nomeação para o elenco afro-americano do filme "Straigh Outta Compton” e para o realizador Felix Gary Gray. Ou até mesmo para o filme "Creed” e para o seu protagonista Michael B. Jordan e realizador Ryan Coogler. Em branco passou também "Beasts of no Nation”, o seu protagonista Idris Elba e o realizador Cary Fukanaga. O filme Chi-Raq de Spike Lee também não obteve qualquer reconhecimento. E por fim o "Concussion” de Peter Landesman que conta com o Will Smith como protagonista, sem qualquer nomeação. 

Para esta edição dos Óscares nenhuma pessoa de cor foi nomeada para os prémios de Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Ator Secundário e Melhor Atriz Secundária, ou seja os prémios mais importantes, e nenhum filme com participação de atores afro-americanos foi nomeado para Melhor Filme. 

Jada Pinkett Smith partilhou um vídeo na internet no ‘Dia de Martin Luther King’, que se celebra na terceira segunda-feira de janeiro, apelando aos afro-americanos que utilizassem a sua influência de forma a não comparecer na Cerimonia de Atribuição dos Óscares, ou seja, um boicote à cerimónia. Jada acredita que chegou a hora para que a comunidade afro-americana se ame, se reconheça e se respeite. "Executar estas três condições da mesma maneira que têm vindo a pedir a outros que as cumpram, este é o verdadeiro poder”. Seguindo o raciocínio de Jada, a Academia possui o direito de reconhecer quem eles escolherem assim como de convidar, portanto, com esta noção em mente chegou o tempo de efetuar mudanças: retirar os recursos afro-americanos e colocá-los de novo na comunidade pertencente, criar programas que reconheçam o valor dos integrantes que são tão bons como os tão intitulados "main-stream”. Perante toda esta situação da falta de reconhecimento a atriz/produtora afirma: "implorando por reconhecimento ou mesmo pedindo por ele, diminui a dignidade e por consequente diminui o poder e nós somos um povo dignificado e somos poderosos, não se esqueçam disso.” 

O ator e marido de Jada Pinkett Smith, Will Smith aborda toda a questão de forma mais profunda, considerando que os meios de comunicação criam uma imagem de "nós” e "eles” referente à cor da pele e revela que essa divisão não deveria existir, pois o que existe é um só. O ator afirma que sente que houve uma regressão na América em geral em direção ao separatismo e à exclusão racial e religiosa e que o seu envolvimento nesta situação das nomeações foi mais um advertir para a comunidade de Hollywood que possui o dever de liderar. "A diversidade é o super-poder da América!”, exclama o ator, "é isso que a torna um grande país”. Continua, referindo que em Hollywood tem que se quebrar barreiras mesmo em tempos de regressão. As nomeações refletem a Academia, a Academia reflete a indústria cinematográfica e que por sua vez representa a América, acabando por refletir os desafios existentes. 

Contudo, em Hollywood existe quem não partilhe desta opinião e veja as coisas de outra forma com bastante clareza. O cantor/ator "Ice Cube” encara toda esta situação polémica com bastante descontração comparando as nomeações com uma corrida de cavalos, "assim que se perde a corrida, rasga-se o bilhete, não resta mais nada a fazer”. O cantor associado ao filme "Straight Outta Compton” afirma que faz filmes para os fãs e restante audiência, se receber um prémio por um deles, fica satisfeito, caso não aconteça acredita que não deve ser alvo de grande foco. O filme recebeu grande atenção por parte de todo o tipo de pessoas, tanto grupos mais novos como de grupos mais velhos, "como podemos ficar aborrecidos quando uma outra entidade, seja a Academia ou os Prémios Guild não reconheceram. Não vale a pena.”
 
A presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs, afirma que toda esta situação é incómoda e que existe de fato um "elefante na sala”. Algo irá suceder nesta cerimónia, resta apenas esperar por dia 28 de fevereiro. Para continuar a acompanhar sobre o assunto utilize a hashtag #oscarsSowhite.

Veja as reações dos famosos sobre esta situação

Opinião de Will Smith no 'Graham Norton Show' 




Opinião de Ice Cube no 'Graham Norton Show'




Entrevista de Will Smith exibida pela 'Complex' 




Vídeo partilhado por Jada Pinkett Smith nas redes sociais




TAGS: óscares 2016, vídeos, boicote

 

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