Dossiês

O perfil de um jornalista, escritor e poeta

Diogo Costa
18/11/2014
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Manuel António Pina foi jornalista, poeta, autor de livros infantis e tradutor. Nasceu no Sabugal, no dia 18 de novembro de 1943. A hora de nos deixar chegou aos 68 anos. Fica a memória da sua lucidez e de todas as suas palavras.

Manuel António Pina licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Aos 17 anos mudou-se para o Porto, onde exerceu diversas funções no Jornal de Notícias, sendo uma delas cronista. A sua última crónica é datada de 3 de Agosto de 2012. Os leitores ficaram, desde esse dia, na expectativa da crónica seguinte, no entanto, apenas chegou a notícia da sua morte a 19 de Outubro.

Começou a sua carreira de jornalista, em 1970, clandestinamente. Conta, em entrevista à revista Visão,  que "faltava um ano para acabar a tropa e apareceu um anúncio no Jornal de Notícias a pedir jornalistas.” Fez provas e das centenas de candidatos foi seleccionado. "Entrámos quatro: eu, o Santos Ribeiro, o Pereira Pinto e o Alberto Carvalho. Mas o estatuto oficial do exército obrigava a que, trabalhar em jornais só com autorização do ministro da Defesa. Eu fiz esse requerimento ao ministro e ele indeferiu”. No entanto, o general comandante do Porto e o director do Jornal de Notícias conversaram e Manuel António Pina foi trabalhar como jornalista. "Não diga a ninguém que lá está, isto fica só entre nós, portanto veja lá se não assina nada e se não aparece lá a sua fotografia, se não está tudo estragado…”, disse-lhe o comandante.

Durante dois anos assinou todas as notícias no jornal como António Mota, e mesmo nas fotografias das reportagens nunca aparecia de frente, aparecia sempre de costas. "Os fotógrafos até me chamavam o Sr. Costa, porque só tinham autorização para me fotografar de costas…”

Além do Jornal de Notícias, onde desempenhou funções de editor e chefe de redacção, trabalhou noutros órgãos de comunicação, entre imprensa escrita, rádio e televisão (República, Diário de Lisboa, O Jornal, Expresso, Jornal de Letras, Visão, Rádio Porto, RTP, Península (Barcelona), entre outros.

"Como sou escritor tenho viajado também por dentro de mim mesmo.”

Transmissora de valores, muita da sua obra infantil e juvenil é selecionada para fazer parte dos manuais escolares. Os seus textos dramáticos são frequentemente representados por grupos e companhias de teatro de todo o país e a sua ficção tem constituído o suporte de alguns programas de entretenimento televisivo, de que é exemplo a série infantil de doze episódios "Histórias com Pés e Cabeça”, transmitida em 1979 e 1980.

A sua obra difundiu-se em países como França, Estados Unidos, Espanha (espanhol, galego e catalão), Dinamarca, Alemanha, Países Baixos, Rússia, Croácia e Bulgária.

A sua obra mereceu frequentemente destaque. Foi homenageado com diversos prémios como, por exemplo, o Prémio Literário da Casa da Imprensa, em 1978; o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens; o Prémio do Centro Português de Teatro para a Infância e Juventude, em 1988; o Prémio Nacional de Crónica Press Clube/Clube de Jornalistas, em 1993; o Prémio da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários, em 2001; o Prémio de Poesia Luís Miguel Nava e o Grande Prémio de Poesia da APE/CTT, recebidos em 2005.

No entanto, foi em 2011, no ano antes de partir, que recebeu o maior prémio para autores de língua portuguesa, o prémio Camões.

TAGS: manuel antónio pina, escritor, jornalista poeta, perfil, prémio camões, diogo costa

 

Últimos comentários


  • 2020-05-04 15:25:32
    Obrigada ajudou-me muito para um trabalho

Comentários