Dossiês

Deputados da Assembleia respondem a jovens

Bruno Mateus
07/07/2014
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Deputados da Assembleia da República foram alvos de uma sessão de perguntas feitas pelos jovens europeus, no âmbito do evento "New Generations, New Policies, New Future". Participação e a situação portuguesa foram alguns dos temas discutidos.


No evento "Políticas jovens na Europa", realizado na Assembleia da República, decorreu um momento de questões e respostas com os jovens "deputados" e membros do parlamento português, que contou com a presença de Miguel Tiago (PCP), Raul de Almeida (CDS-PP), Inês de Medeiros (PS) e André Pardal (PSD).

"O Parlamento Europeu está desligado das funções do português". Foi Miguel Tiago que iniciou a abertura das respostas às questões colocadas pelos jovens europeus. Para o deputado do PCP, o Parlamento está afastado dos reais problemas das pessoas. "Posiciona-se longe das nossas preocupações, não reflecte os nossos problemas diários", considerou.  


Miguel Tiago pertence ao Partido Comunista português e assume que é contra a política atual da União Europeia. Considera que a Europa podia fazer muito mais pelos seus cidadãos e a sua preocupação centra-se nos bancos, "o que domina infelizmente a política". Outro ponto que foi frisado é o de estar ou não na União Europeia. O deputado afirma a existência de estados europeus que não são membros da UE e que não é por isso que vivem pior. No entanto, contrapõe e afirma que "há países, como Portugal, que são membros da UE e é por isso que vivem pior."




O deputado comunista tocou no ponto da política portuguesa, referindo que a política atual desmotiva os jovens a participar na mesma. "Não se deve dizer uma coisa nas eleições e fazer outra coisa depois". Considerando que é desmotivador ganhar eleições com base em mentiras, sublinhou que tal só "afasta os jovens da política". O deputado à Assembleia da República afirmou que "a forma como participar é que constitui a democracia. Se sentir que há uma diferença entre o partido A e o B, aí é que surge uma democracia". Ao abordar a situação do Governo atual, avaliou os últimos 30 anos de Governos PS e PSD classificando-os como políticas iguais e desmotivadoras. Miguel Tiago considerou ainda que o país tem de escolher entre "O euro e a Europa ou o país e o povo". Considerando que o caminho não é sair da União Europeia, sublinhou que essa possibilidade não pode ser descurada. "Eu não quero sair, mas posso ser obrigado", reiterou.




Inês Medeiros, deputada do PS, iniciou com uma mensagem de solidariedade com o povo grego, considerando que todos os erros políticos da União Europeia na Grécia são o reflexo dos problemas atuais. 

Defensora do projeto europeu, a deputada referiu que a emigração fragiliza a economia social. "Não aumenta o desemprego, mas fragiliza o Estado social". Numa relação com a emigração, Inês Medeiros afirmou que a Europa deixou de proteger os seus cidadãos e isso contribuiu para um aumento da extrema-direita. "Eles prometem mais proteção". Considerando, assim, que há um sentimento de desproteção nos países da União Europeia.





O deputado do maior partido do Governo, André Pardal, centrou-se na participação dos jovens e afirmou que, independentemente da situação económica, a participação deve estar presente. O parlamentar social-democrata incentivou os jovens a participar nos atos eleitorais: "se queremos participar na manutenção temos de participar, dar a opinião". 

André Pardal referiu que os resultados das últimas Eleições Europeias são reflexo das fragilidades das políticas. O deputado deixou o conselho de que temos de ser responsáveis enquanto cidadãos e de combater o eurocepticismo. O deputado da Assembleia aconselhou os jovens a serem mais proativos.    


Raul de Almeida, deputado do CDS-PP, abordou a importância de ter uma opinião sobre a realidade social, considerando importante modelar a opinião e ideologia de cada um e trabalhar sobre a construção da realidade social. 

"As medidas para os jovens não são suficientes, não resolvem o desemprego jovem", afirmou. Sobre a emigração dos jovens, Raul de Almeida referiu que os jovens só devem sair se quiserem porque "são bons embaixadores de Portugal". No entanto, refere a importância de criar boas condições para aqueles que querem ficar. "Lutar para que a economia cresça é desenvolver o emprego", reiterou.


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