Dossiês

Fonte: facebook oficial do movimento

Ocupar para vencer

Eduarda Fernandes
12/10/2011
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As manifestações de descontentamento face à crise financeira crescem em Nova Iorque, espalham-se pelos EUA e juntam-se à já presença marcada na Europa. Sob pena de deixarmos passar momentos que farão História, é imperativo compreender e contextualizar a recente onda de protestos.



As manifestações de descontentamento face à crise financeira começaram em Nova Iorque mas rapidamente se alastraram pelos EUA

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O início da ocupação na Liberty Plaza, a alguns quarteirões a norte de Wall Street, começou dia 17 de setembro mas já vinha a ser incubado desde julho por três pequenos coletivos: Adbusters (uma rede global anti-consumo), Day of Rage (uma rede de grupos constituidos por jovens cujos alvos parecem ser, como na Espanha, os banqueiros e políticos) e Anonymous (uma espécie de guerrilha digital em rede). O texto produzido para o The Nation, por Nathan Schneider- ativista ligado à cultura de paz - ajuda a compreender as origens do movimento e reconhece que o início não teve o alcance desejado, os organizadores esperavam reunir 20 mil pessoas em Wall Street, acabando por mobilizar apenas um décimo.

A pouca adesão não desmotivou os manifestantes, quase todos com menos de 25 anos, que se instalaram entre guarda-chuvas, colchões, edredões e cartazes feitos de papelão em Liberty Plaza.
A perseverança resultou e este pequeno grupo de jovens indignados com o poder económico de Wall Street acabou por funcionar como detonador de toda a insatisfação social que se vive nos EUA, ganhando cada vez mais apoiantes e uma nova dimensão, após milhares de manifestantes terem ocupado a ponte de Brooklyn no sábado, 1 de Outubro. A invasão originou 700 detenções e a cobertura mediática do protesto, que até então tinha praticamente passado ao lado dos assuntos em destaque nos meios de comunicação.

Depois de vários confrontos com a polícia, um dos líderes do movimento sublinhou de forma clara o objetivo da acção: “este não é um protesto contra a polícia de Nova York. É um protesto de 99% da população contra o poder desproporcional de 1% que controla 50% da riqueza do país”. No final, incentivou a polícia a juntar-se aos manifestantes.

Os protestos ganharam força, atraindo cada vez mais sindicatos e organizações, dos mais liberais aos mais conservadoras e tradicionais, aos quais se juntaram estudantes e reformados. Não faltando razões para estes se envolverem, num cenário em que o desemprego ultrapassa 10%, os salários reais caem há anos, os trabalhadores estão muito endividados e não têm nenhuma certeza em relação a seu futuro.

Quase a fazer um mês, os manifestantes não esmorecem, são ativistas inovadores, que utilizam os meios de comunicação contemporâneos para combater a rajada de informação e de propaganda que, segundo os líderes do movimento, controla os cidadãos, reduzindo-os ao estado de simples consumidores. Criaram um centro de média com transmissões em direto 24h por dia, uma biblioteca pública composta por livros doados e um jornal impresso Occupy Wall Street Journal , que já vai no 2º número e com uma tiragem de 70 mil exemplares.

O movimento que tem sido criticado por não ter exigências definidas nem propor alternativas, viva apenas da convicção de que, aconteça o que acontecer, eles só sairão dali quando houver mudança.
Ao receber adesões e influências variadas – anarquismo, hippíes, juventude desencantada, trabalhadores organizados – o movimento Occupy Wall Street está a converter-se em algo grande, com potencial e capacidade de construir uma nova cultura política


"Nós vamos crescer, multiplicar-nos e reconquistar a nação", gritava Arun Gupta um dos fundadores do movimento "Occupy Wall Street".



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