Dossiês

Os megafones foram mais que muitos

Estudar para desenrascar

Francisco M. Pereira
13/03/2011
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A 12 de março, alunos e professores fizeram questão de assinar a folha de presenças em Lisboa.

Os que se encontram a estudar temem por ela, os que dão aulas adormecem e acordam diariamente com a precariedade. Para além de reivindicações, das desistências em Coimbra por falta de dinheiro e corte nas bolsas do ensino superior, o mercado de trabalho permanece desadequado e pouco receptivo ao excesso de cursos que se multiplicaram após Bolonha.

Foi do lado dos estudantes que encontrámos Regina Tavares, no último ano de animação sócio-cultural. Diz que vale a pena o protesto para "mostrarmos que estamos insatisfeitos". Sobre a falta de objectivos das gerações mais novas, sublinha que todos os presentes têm valores em que acreditam.

Bruno, estudante de arquitetura, depois de almoçar seguiu para a Avenida da Liberdade, onde trocou algumas ideias com colegas seus. A música ambiente é audível, mas não é por isso que deixa de falar ao New4Media. Sobre o protesto, diz que espera uma evolução. "Somos a geração que está agora a acordar de uma anterior que viveu à base da ajuda europeia. Só nós nos podemos ajudar a nós próprios. Estou farto do estado paizinho". Sobre o ensino, entende que "precisa de ser revisto".

Por seu turno, o nomadismo da classe de docentes é já conhecido em Portugal. Os professores vieram da mobilização também marcada para 12 de março, no Campo Pequeno, e foram os últimos a chegar ao Rossio.  

Há 20 anos, Natália foi “rasca”, agora está "enrascada". Para esta professora o tempo não anda para trás e não vai haver outro 25 de abril, mas significa o 12 de março que as pessoas se começam "a movimentar e a mostrar o seu descontentamento. O desfecho deste protesto pode ser o começo de outro ainda maior, e esse sim talvez tenha algum resultado”.

Patrícia Filipe, professora precária (a recibos verdes) e despedida há pouco tempo, faz parte de um movimento de protesto contra a precariedade - Mayday. Distribuí panfletos para juntar mais pessoas numa acção que irá decorrer no dia 1 de Maio. Apesar da situação complicada a nível político, Patrícia acha "obrigatório encontrarem-se soluções para a precariedade”. Deixa ainda uma mensagem de incentivo para aqueles que estudam: "não devem desistir, porque estudar é uma mais valia para a formação pessoal".

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