Dossiês

A Geração à Rasca não escolhe idades

Aposentados solidários

Francisco M. Pereira
13/03/2011
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Em vários pontos do percurso da manifestação, estavam centenas de reformados a aplaudir a iniciativa da juventude.


Adelaide Godinho, já reformada, foi acompanhada do marido - também reformado. Afirma que tem pena de ver apenas hoje os jovens na rua. "As gerações mais novas não têm nada garantido!" Diz gostar muito de ouvir Jel, o protagonista dos Homens da Luta, a falar na televisão.

Por sua vez, Luísa - governanta durante a maior parte da sua vida -, acredita que "com cravos não vamos lá". O saber não ocupa lugar e para ela o tempo da ignorância ficou para trás. "Vim fazer mais lume, mas quem torto nasce nunca se endireita e isto não vai mudar!".

Maria Dias foi com os filhos. “Estou aqui por solidariedade com a juventude, pelos meus filhos, pelo meu neto, quero que isto melhore; tiram os cursos e ficam desempregados”. Maria esperava ver ainda mais pessoas: "o povo tem que se juntar todo!"

Carlos Ferreira, com 65 anos, já aposentado do ramo de hotelaria e restauração, encontra-se parado no meio da estrada, levando a carrinha da polícia a desviar-se dele. Foi só ver se a juventude está a lutar com firmeza. "Vocês têm que segurar isto. Só os partidos não chegam!"

Sem filhos ou netos, sozinho no meio da multidão, Eduardo olha para a estrada pensativo. Visivelmente emocionado, andou pelas ruas no 25 de abril de 1974. Diz ter conhecido Salgueiro Maia e a voz é trémula ao dizer "sinto-me prejudicado agora.”


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