SHOT

A avenida ao som da música

27/11/2017
Tiago Crispim, Mafalda Santos
0
O festival Vodafone Mexefest decorreu este fim-de-semana e recebeu 12 mil espectadores. Foi o terceiro ano consecutivo que o festival de inverno esgotou os bilhetes e fez as pessoas moverem-se do Rossio à Avenida da Liberdade ao som da música. A Rádio Autónoma esteve lá e conta como foram as noites.
Foram 55 actuações espalhadas por 13 salas no centro de Lisboa, durante duas noites (24 e 25 de novembro). As músicas eram para todos os gostos, variedade foi a palavra-chave do Mexefest. Com horários e concertos em simultâneo era necessário fazer o itinerário antes de lá chegar, ter as prioridades bem definidas do que queriam ouvir para não correr o risco da sala estar lotada, o que nos chegou a acontecer algumas vezes.

A nossa noite começou no Palácio Foz, uma sala lindíssima que convida a concertos intimistas, onde fomos encontrar Tomara, alter-ego de Filipe Monteiro, entrevistado recentemente no nosso PontoCom, que dava o primeiro concerto da sua carreira a solo. Os nervos transpareceram no início, mas rodeado da sua mulher, Márcia, e de Samuel Úria, Tomara agarrou o público para uma hora de Favourite Ghost, mantendo a sala cheia. De facto, salas cheias foi algo recorrente neste festival, com gente a mais ou oferta a menos nos últimos anos. 

Fomos de seguida espreitar Destroyer mas rapidamente desiludidos com a parede sonora no Coliseu, tentámos ir a Liniker e os Caramellows. O som estava bom na Estação do Rossio, a fila é que não andava de forma nenhuma, e decidimos tentar ver Samuel Úria, o nome escolhido pela organização para substituir Jessie Ware, e artista famoso pelos seus concertos enérgicos e cativantes. Mais uma vez e para terminar a noite em desilusão, a fila no S. Jorge estendia-se pela avenida fora. Pela avenida, Kumpania Algazarra faziam jus ao nome, com direito a séquito dançante a desfilar na Liberdade.

No segundo dia, de energias renovadas, começámos a noite em Luís Severo, mais um dos artistas que passou no PontoCom, e autor de um dos melhores álbuns nacionais do ano. A solo no Tivoli, foi-se sentindo cada vez mais à vontade e terminou antes do tempo a setlist, partindo depois entre risos cúmplices da audiência para mais um par de canções fora do plano. Em seguida, numa mudança completa de estilo, fomos espreitar o palco mais inusitado neste festival, que acolhe bandas num autocarro. O rock enérgico dos Panado pode não ser memorável mas a viagem é certamente. Para terem uma noção, cem pessoas a saltar dentro de um autocarro é uma experiência de vida que qualquer festivaleiro devia aproveitar.

Para acalmar os ânimos, vimos um pouco de Everything Everything e de Julia Holter, dois registos diferentes e dois grandes concertos. No primeiro, a banda britânica abriu em grande com Night Of The Long Knives sem perder tempo e ir aos êxitos como Regret, talvez como forma de manter o público durante mais tempo, que afinal de contas isto pode ser visto como um concurso de popularidade. Apesar de bom, tínhamos a ideia de ver mais bandas que no dia anterior e partimos para Julia Holter, ao piano, num registo bem diferente mas igualmente cativante na sua simpatia. A Estação do Rossio é que continuava a não dar tréguas e apenas através de uma janela pudemos espreitar a genica de Angus Andrew, vocalista dos Liars, de vestido de noiva. 

A fechar a noite em beleza, Moullinex apresentou Hypersex, com toda a família da Discotexas, Ghetthoven, Xinobi, Da Chick e até Best Youth a ajudar a festa. Foi com o Coliseu cheio que Luís Clara Gomes saltou para o meio do público e se deitou no chão a tocar, foi aí que Ghetthoven impressionou com a sua dança e mudanças de roupa, foi aí que Diogo Sousa, o baterista, teve uma cãibra e regressou no meio de aplausos, foi também aí que se fez uma despedida em grande deste festival de inverno.




TAGS: mexefest, lisboa, festival, autónoma

 

Comentários