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Estudos realizados na rede social Facebook

"Gostos" no Facebook analisados para caracterizar utilizadores

14/03/2013
Cátia Tocha
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Foi realizado um estudo na rede social Facebook que acertou na maioria das características de cada utilizador. Esta investigação britânica provou ser possível descrever a personalidade, a orientação sexual, as escolhas políticas e a religião através dos "Gostos" dos utilizadores do Facebook.

A Microsoft e uma equipa do departamento de Psicometria da Universidade de Cambridge analisaram o mural de 58 mil utilizadores da rede social. Todos eles participaram voluntariamente e partilharam os resultados pessoais dos testes comportamentais psicométricos, que revelam os traços da personalidade. Os algoritmos - modelos matemáticos - usados pelos investigadores acertaram com 88% de exatidão na sexualidade dos homens e com 75% na das mulheres. Cristãos e muçulmanos foram classificados de forma correta em 82% dos casos. Também democratas e republicanos norte-americanos foram revelados em 85% da amostra. A distinção racial entre caucasianos e afro-americanos acertou em 95% dos casos. Os "Gostos" serviram também para analisar preferências políticas em 85% dos casos.

Em declarações feitas ao New4Media, o professor brasileiro Tarcízio Silva - um dos maiores especialistas mundiais na área, esclareceu alguns dos objetivos que levam investigadores a traçar perfis de utilizadores das redes sociais. Para os detentores dos sites deste tipo de redes, os estudos "buscam entender melhor os perfis de seus usuários com fins de realizar ajustes a fim de otimizar a interface, usabilidade e recursos oferecidos pelos seus produtos". Já as organizações comerciais, como empresas e agências, "esperam entender seus públicos específicos - o de compradores e potenciais compradores de produtos e serviços - para criar segmentos e direcionar comunicação, marketing e produtos do modo mais efetivo para cada um deles".

A inteligência também foi estudada com base em determinados gostos. Um utilizador que tenha "Gosto" em publicações relacionadas com "ciência", "o Relatório Colbert" (programa televisivo dos Estados Unidos), "tempestades" e "batatas fritas", significa que é uma pessoa inteligente. O utilizador que gostar da "Harley-Davidson", da marca "Sephora" ou do grupo de música country "Lady Antebellum", pode ter um baixo défice de inteligência.

Para Tarcízio Silva, o ponto mais polémico do estudo é a perceção da inteligência do utilizador da rede social através dos seus "Gosto", e afirma que "Oo método utilizado por estes pesquisadores para atribuir um escore [pontuação] à inteligência dos participantes não é totalmente consensual". O investigador explica que existem outros métodos, também não consensuais, e que  "as medidas de inteligência são também mediadores culturais com influência sobre o comportamento humano".

Os autores do estudo alertam para certos riscos, porque "prever a informação pessoal para melhorar produtos, serviços, e públicos-alvo pode também levar a perigosas invasões de privacidade". No entanto, um dos investigadores, David Stillwell, informa que o utilizador pode ocultar as preferências. Em declarações prestadas à BBC, Stillwell afirma que "os likes no Facebook são públicos por padrão mas o Facebook não obriga a torná-los públicos. Pode alterar as configurações de privacidade".

Tarcízio Silva refere que as redes sociais e os grafos de interesses "sempre estiveram intrinsecamente ligados", e que "o que Michal Kosinski, David Stillwell e Thore Graepel e seus colaboradores conseguiram (...) foi mostrar um pequeno - e loquaz - exemplo do que o Facebook pode fazer hoje". O especialista afirma ainda que o ato de traçar perfis é um tema estudado por "pesquisadores de Comunicação, Psicologia e Computação" que querem perceber "até que ponto os dados online são fiéis aos comportamentos efetivos em outras esferas sociais e comportamentais".


TAGS: Facebook, Gosto, personalidade, utilizadores, redes sociais, estudo, investigação, algoritmos, inteligência, previsão, BBC, privacidade, Tarcízio Silva

 

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