SHOT

O agravar da situação de crise na Europa está a originar cada vez mais miséria nos países mais pobres, como Portugal

Três milhões de portugueses vivem no limiar da miséria

06/03/2012
Eduarda Fernandes
11

São cada vez mais visíveis as consequências do aumento do desemprego e do empobrecimento no país. É preciso o envolvimento de todos para fazer chegar a ajuda urgente às famílias que estão a deixar de ter comida na mesa e que são cada vez mais.

Os últimos dados do Gabinete de Estatística da União Europeia (Eurostat) revelam uma realidade assustadora: o número de portugueses em risco de pobreza e exclusão social chegou, em 2010, aos 2,7 milhões.

Consequência deste aumento do número de famílias carenciadas é a lotação das instituições sociais e dos centros de ajuda que oferecem comida e abrigo. De forma a combater e a dar resposta à procura diária de ajuda, as instituições sociais estão a optar pelo alargamento da distribuição de refeições aos mais carenciados em sistema take away, ao mesmo tempo que se alarga o raio de distribuição de cabazes e se oferecerem refeições já confeccionadas, aproveitando a boa vontade de muitos supermercados e comerciantes que dão alimentos frescos.

Em 2010, 115 milhões de pessoas viviam em risco de pobreza ou exclusão social, sendo as percentagens mais elevadas registadas na:

Bulgária (42%), Roménia (41%), Letónia (38%), Lituânia (33%) e Hungria (30%)

Dados recentes sobre o risco de pobreza ou exclusão social na Europa contabilizam 115 milhões de cidadãos em situações precárias, ou seja, 23,4% da população europeia.

Em Portugal, em termos relativos, os 2,7 milhões de portugueses equivalem a 25,4%, mais 43 mil pessoas em relação a 2009 e mais 200 mil face ao valor médio europeu.

Viver com menos de 434 euros por mês

Com base em dados do Eurostat e do INE, uma nova realidade já assumiu contornos de médio/longo prazo:  os trabalhadores pobres. Com um aumento de 12% de 2009 para 2010, os portugueses que vivem com menos de 434 euros por mês, já são mais de 1,2 milhões.

Apesar dos apoios sociais atenuarem o fenómeno da miséria - quer de pessoas em atividade, quer das inativas (caso dos reformados e das crianças) Portugal reprova em comparação com os restantes países europeus: em 2010, quase 31% dos empregados foram considerados pobres ou no limiar da pobreza. Pior que Portugal, em contexto europeu, só a Roménia (50%) e a Espanha (41%), um cenário que é certamente mais grave hoje, uma vez que ainda não são conhecidas as estatísticas de 2011. No entanto, com os dados que todos os dias vão vendo a luz do dia em notícias sobre o desemprego e o aumento do custo de vida, não é difícil de prever que a situação está pior.

Para já, uma coisa é certa: enquanto a crise não começar a esmorecer, o imperativo é sair de casa e acorrer a quem mais precisa. Despertar a solidariedade, freguesia a freguesia, rua a rua, porta a porta. Só assim conseguiremos pelo menos garantir a dignidade mínima que a população de um país necessita para poder lutar por tempos melhores.

Veja a Reportagem especial da Autónoma TV sobre o aumento da pobreza em Portugal


TAGS: desemprego, empobrecimento, comida, Gabinete de Estatística da União Europeia, Eurostat, risco de pobreza, exclusão social, famílias carenciadas, instituições sociais, comida, abrigo, distribuição de refeições, Europa, Portugal, INE, New4Media, UAL

 

Últimos comentários

  • João Santos
    2013-11-16 20:14:32
    Assim se faz Portugal uns vão bem ( aumentaram os multimilionários em Portugal ) outros vão muito mal
  • Maria paixao
    2013-04-16 22:05:44
    Enquanto não houver uma mudança drástica dos governantes em Portugal a pobreza vai continuar a aumentar. Enquanto os politicos não fizerem frente ao sistema bancário que é quem governa este País, esqueçam o combate á pobreza.Eu que sou contra a violencia os Portugueses só tem um poder uma forma de combater a pobreza. Este poder chama-se votos nas urnas.Faço um apelo aos meus compatriotas. NAO SEJAM MASOQUISTA. Votem diferente das proximas vezes, não mantenham no poder quem se governa á trinta e oito anos
  • Patrícia
    2013-04-16 22:01:56
    Como brasileira, me sinto envergonhada pelas palavras desta minha conterrânea. Vivo em Portugal e conheço a história do meu país Brasil. E aqui como lá, o povo sofre e os governantes ficam impunes pelas trapaças constantes que fazem da Constituição de qualquer um destes países. E depois vem a Karol falar nestes termos como se não conhecesse o país onde vive. Lamentável
  • João Oliveira
    2013-04-16 19:25:29
    karol...volta para a favela! É bom saber que aprendeste a escrever mas redigir algo sem conteúdo não faz de ti versada sobre a cultura e sociedade portuguesa
  • dave vincy
    2013-04-16 19:24:07
    O comentário da "Karol" é um comentário agressivo e cruel. Há sempre consequências nos actos, é verdade mas dizer "bem feito" a pessoas que nada tem a ver com isso e que sofram, muito mesmo, de fome, precariedade, sem condições de sobrevivência, é pura maldade, pelo menos no meu conceito de vida e de compaixão. É uma pessoa miserável , uma coitada. Colhemos SEMPRE o que semeamos

Comentários